Se imaginarmos um outro tipo de árvore?! Um tipo que pode aparecer num futuro não muito distante... A memória de uma árvore leva-nos para um imaginário romântico, onde o verde se manifesta em todo o seu esplendor, no entanto ,o grupo steamtreehouse através da reutilização de materiais deu forma a uma nova espécie. A Steampunk Tree House, como podemos ver pelas imagens, representa uma relação mutante que se mostra benéfica entre as pessoas e a natureza. Esta "casa da árvore" é construída com madeira reciclada, componentes mecânicos e aço. Numa época em que a preocupação com a reutilização, a redução e a reciclagem são o mote de vários debates, parece-me necessário destacar este tipo de trabalhos que de forma experimental podem ter um papel didáctico sobre a sociedade.
Como as crianças, nós subimos às árvores! Seja por diversão ou como um refúgio da nossa vida terrestre, os braços acolhedores de uma árvore sempre ofereceram um pouco de desafio, uma sensação de realização, de segurança, segurança e bem-estar.
Como adultos, sabemos que a nossa relação com o mundo natural é cada vez mais artificial. As actuais florestas estão a desaparecer. O clima está a mudar e as nossas relações sociais são cada vez mais superficiais.
Ao olharmos através das coisas que compramos,damos conta que estamos cada vez mais desligados do nosso ambiente e de uma conexão social genuína. A Steampunk Tree House pode, certamente, lembrar as pessoas de um tempo mais simples, mais inocente. Pode servir como um lembrete da infância, e um exemplo de como os seres humanos podem viver em harmonia com a forma artificial da natureza. No entanto, a árvore também pretende inspirar o pensamento crítico por parte dos seus moradores, incentivando os seus habitantes a reconsiderar a relação, muitas vezes paradoxal entre o homem e o ambiente do qual fazemos parte.
Eu realmente não sabia que o termo Sustentabilidade tinha aparecido pela primeira vez na Alemanha num manual de silvicultura em 1700!... Também não sabia que existiam pessoas a sentirem-se paranóicas com um suposto plano de conspiração por trás do aquecimento global! Passo a publicidade - The Complex History of Sustainability - é um cronograma de tendências, autores e projectos de ficção feita por Amir Djalali, com a participação de Piet Vollaard. Este trabalho foi originalmente publicado na revista Volume #18 e tornado interactivo com a maceração do Google Maps. Ver AQUI! Pode-se também descobrir toda uma panóplia de ficção utópica realizada ao longo dos anos e descobrir todo um conjunto de atictudes diferentes em relacção à natureza ao longo da história.
A Broadacre City surge num contexto muito específico pela mão do arquitecto Frank Lloyd Wright, o que faz com que a proposta apresente características de um determinado contexto cultural e histórico mas que tem certos traços pessoais fruto da postura de Wright.
Para Whight a cidade industrial enredada pela máquina perdeu a sua natureza, a sua lógica interna, a sua essência e arrastou consigo os cidadãos, que prisioneiros do maquinismo infernal perderam as suas referências, acabando por se tornarem marionetas – de produzir, de rentabilizar, de multiplicar. Devido à grande cidade industrial ter abandonado o valor da terra largando no esquecimento o verdadeiro valor do humano. Whight afirma: «a felicidade do cidadão convenientemente “urbanizado” consiste em aglutinar aos uns aos outros dentro da desordem, iludido como é pelo calor hipnótico e pelo contacto forçado com a multidão. A violência e o rumor mecânico da grande cidade agitam a sua cabeça “urbanizada”, enchem os seus ouvidos “urbanizados”. (…) Uma agitação perpétua excita-o, rouba-o à meditação e à reflexão (…) ele torna-se um agente, vendedor de ideias rentáveis, um viajante que explora as fraquezas humanas especulando com as ideias e invenções dos outros um parasita do espírito (…) perpétuo escravo do instinto gregário, (…) submisso um poder estranho».(1)
Whight vê na noção de aluguer um dos principais problemas da cidade, alugam-se habitações e terrenos, em nome da eficácia a cidade é alugada e sujeita à especulação do mercado e ao domínio do senhorio. «Este é um mundo que vive do parasitismo e da exploração; este é o mundo da pobreza de espírito; o reino dos estereótipos e de uma massa de gente desenfreada, “bonecos mecânicos” que se arrastam em rebanho movidos pelo artificialismo e pelo «instinto gregário». (2)
Assim, a Broadacre City nasce da crítica da realidade existente, de uma cidade inadequada, doente, perdida e transforma-se numa das grandes utopias do século XX. Em 1935, Whight apresenta nos E.U.A a maqueta do seu modelo de cidade (fig. Z), o modelo não se destinava a uma determinada área, não tendo um lugar específico, apresenta uma malha uniforme, contínua, que se alastra indeterminadamente, sem fronteiras, a solução absoluta. «A cidade convertida em nação.» (3)
Na Broadacre City é o campo que ganha vida sobre a forma de uma grande cidade, estende-se por todo o território, tornando cada cidadão num urbano e num camponês. A sua forma dispersa revogará qualquer tendência de convergência, que se tornaria numa mistura de funções ou de pessoas apertadas. Segundo Wright «os grandes centros urbanos já não estavam em vias de desaparecimento; eles tinham deixado logo de existir». (4) Numa era onde os meios de comunicação representam um sintoma importante na evolução dos modos de vida, onde a supressão/redução das distâncias constitui-se como um facto adquirido, a tendência à concentração entra necessariamente em decadência.
Assim, Whight cria a cidade do aventureiro, do nómada, a cidade que inspira liberdade, que respira movimento, coberta por um emaranhado de vias, estradas e auto-estradas, de redes de telecomunicações, uma grelha de fluxos, Broadacre City é, neste sentido, uma cidade de comunicação, do movimento, que pela sua grelha cada ponto encontra-se ligado potencialmente a todos os outros.
A natureza, surge na cidade como meio continuo, receptor de todo o sistema, é o principio fundamental e é nela que assentam todos os componentes que trabalham organicamente, garantindo o equilíbrio do Homem consigo mesmo e com os outro da cidade, onde a beleza da paisagem seria procurada como elemento da arquitectura.
Wright quer «resgatar o valor da terra enquanto direito do Homem, ou o do Homem enquanto herança fundamental da terra» (5) Mas, para isso Whight recupera a importância da máquina e das tecnologias, porque só a máquina poderá garantir as condições materiais para uma sociedade verdadeiramente democrática, a utilização da tecnologia poupará a morosidade das tarefas do Homem, oferecendo-lhe uma maior margem de prazeres. As novas tecnologias não são sinónimo de degradação das motivações e tarefas mais belas do ser humano, elas representam dados fundamentais na caracterização da época contemporânea e são os motores essenciais a uma sociedade moderna devendo ser levadas em conta em qualquer sociedade.
Hoje quando falamos em sustentabilidade sabemos que o planeta não é infinito, os territórios não são infinitos, e precisamos de ser mais económicos, a utopia de Wright nunca chegou a ser construída, muito devido à dispersão visto que cada pessoa teria um acre (aproximadamente 4046 m2) de terreno. Lloyd Wright não tinha a preocupação com a economia do território. O que ele tinha, e hoje mantém-se actual, era a necessidade de não estragar a natureza com as marcas do progresso.
Hoje vivemos num contexto de uma forte crise ambiental, que pode ser entendida como uma crise civilizacional. A violência urbana pode ser considerada um dos maiores distúrbios da sociedade actual, as leis são infringidas e perdem-se totalmente as noções de cidadania, base de sustentação para um melhor convívio social. Neste contexto o sistema urbano constitui, o grande desafio do futuro e a sustentabilidade é o objectivo de qualquer formulação que se considere progressista e comprometida com um futuro socialmente solidário e ambientalmente seguro.
As preocupações ambientais e humanas já existem há vários anos, a falta de energia e matéria-prima, o caos urbano, o trânsito e o excesso de calor aceleraram as discussões globais sobre as práticas arquitectónicas, que se vêm na necessidade de apresentarem soluções para os vários problemas que emergem.
Coloquemos os óculos verdes!
_______________________ 1 in CHOAY, F., O Urbanismo. Utopias e Realidades. Uma Antologia pag. 236 2 in CHOAY, F., O Urbanismo. Utopias e Realidades. Uma Antologia pag. 237 3 in CHOAY, F., O Urbanismo. Utopias e Realidades. Uma Antologia pag. 242 4 in FISHMAN, R., L’Utopie Urbaine au XXe Siècle. Ebenezer Howard. pag. 97 5 in CHOAY, F., O Urbanismo. Utopias e Realidades. Uma Antologia pag. 241
"Cities on speed", é um documentário encomendado pelo instituto dinamarquês do cinema e da emissora DR, em que se tecem visões para o futuro urbano numa série de quatro filmes - Bogotà Change, Mumbai Disconnected, Cairo Garbage, Shanghai Space - dirigido por quatro directores diferentes que criam histórias baseadas na realidade de quatro das maiores metrópoles do mundo: Xangai, Bogotá, Bombaim e Cairo. A grande cidade como um organismo vivo, múltiplo e polar tem vindo a tornar-se um dos assuntos favoritos dos cineastas do mundo inteiro desde Berlin Walter Ruttmann's, die Symphonie de GroBstadt (1927) a Manhattan de Woody Allen (1979), a cidade tem sido uma armação para narrativas cinematográficas. A serie foca-se nos problemas urbanos e em pessoas que estão a trabalhar em soluções, desde os parques subterrâneos em Xangai, os policias de transito em Bogotá, os colectores de lixo no Cairo, e os carros Nano de Bombaim.
Fica de seguida um breve vídeo para picar a vossa curiosidade:
"A coisa mais impressionante sobre a High Line, a antiga via férrea elevada industrial correndo ao longo do lado oeste de Manhattan, é a rapidez com que o transporta para um lugar diferente".
A High Line é o projecto público raro, que realmente cumpre a promessa do processo de planeamento inicial. O resultado acabou por superar as expectativas surpreendendo o próprio director de operações de campo. Em 1990, a linha estava marcada como estrutura a demolir, mas um grupo intitulado por Friends of the High Line forma-se para preserva-la, notando que a natureza já estava a transformar a linha em espaço verde. Este grupo pediu então ajuda a celebridades como Kevin Bacon, Edward Norton e Diane von Furstenberg para se juntarem à sua luta para a preservação da linha, acabando por conseguir e encomendar a concepção deste arranjo paisagistico ao atelier Field Operations e aos arquitectos Diller Scofidio + Renfro. "Nossa filosofia toda foi para ampliar as condições encontradas", diz James Corner, diretor de Operações de Campo. "Conseguimos um espaço que oferece uma experiência emocionante e distinto público, mas de uma maneira que capta o original pós-industrial."
Hoje, a High Line está ser usada a de uma forma diversificada, mais do que o próprio James Corner acreditava, embora tenha sido concebida como um jardim relativamente simples com um "passeio", o parque oferece locais para piqueniques em família, banhos de sol, com espectáculos de cabaret na escada de incêndio de um prédio adjacente. A High Line serve como um excelente exemplo de um novo tipo espaço público que pode tomar forma em cidades de países como os Estados Unidos, Alemanha, México e Canadá - em que se utiliza a infra-estrutura abandonada e artefactos da indústria para criar espaços verdes públicos distintos, que procuram produzir um legado positivo para o que antes era uma estrutura poluente. Uma das razões para esta mudança de atitude é o factor económico: é geralmente menos dispendiosos reinventar ruínas industriais do que remove-las: outra é que as cidades são simplesmente a falta de espaço verde. Devemos parar e olhar para estes lugares contaminados como espaços de potencial criativo, geradores de novas formas de reabilitar.
Devido ao trabalho de pesquisa que tenho vindo a realizar, deparo-me várias vezes com entrevistas, citações, trabalhos, entre outras coisas desta magnifica personalidade portuguesa que é o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Dever-se-á, realçar, o invulgar mérito de um profissional que sempre soube enfrentar as contrariedades, incompreensões e oposições, sem jamais abandonar a luta por uma causa que sempre defendeu como sendo de interesse nacional, a gestão da paisagem. Oportunamente, hoje em que o mote é a sustentabilidade, a preocupação ambiental e a complexidade da gestão paisagística, num mundo progressivamente tecnológico e global as inquietações deste arquitecto perante a protecção do nosso património natural são de uma frescura contagiante e sobre a qual nos devemos debruçar com redobrada atenção combatendo uma incultura ecológica generalizada das nossas elites sociais.
Numa brilhante palestra oferecida pelo TED talks, intitulada "Como os alimentos moldam as nossas cidades" (How food shapes our cities), onde Carolyn Steel pondera como a agricultura e o desenvolvimento urbano são fenómenos interdependentes, que se originam no mesmo lugar ao mesmo tempo que a nossa dependência alimentar condicionou a forma das cidades, pelo menos até a Revolução Industrial, a partir da qual a nossa ligação directa com a natureza através dos alimentos, começou a desvanecer-se até que hoje quase não sabemos distinguir uma alface de um espinafre e muito menos conseguimos identificar qual é a planta que produz beringela ou pimentos...
Aldo Leopold nos anos 40 do século passado já dizia que: "Há dois perigos espirituais em não ter uma quinta. Um é o perigo de supor que o pequeno almoço vem da mercearia, e que o calor vem de uma caldeira." Infelizmente, nós vivemos cara a cara com esses dois perigos de base que consequentemente, são os dois pilares sobre os quais repousa a insustentabilidade da sociedade actual.
A criação de jardins/hortas é essencial para nos re-conectar com natureza.
Projecto do atelier drMM a sliding house é uma construção mecanizada que pode responder a diferentes condições climáticas à escala da fachada. Uma simbiose com a tecnologia que dota a habitação de uma capacidade mutável, gerando diferentes espaços e leituras com o simples deslizar da pele que a envolve.
“Hoje a Natureza do campo encontra-se assediada, e é tão escassa na cidade, que se converteu em algo valioso” in, Design with Nature, Ian Mcharg
Actualmente, certas franjas da sociedade persistem, teimosamente, no cultivo de produtos hortícolas ocupando vazios deixados pelo atravessamento de grandes infra-estruturas rodo e ferroviárias, terrenos expectantes, taludes sem vocação urbanística, espaços de ninguém e sem valor aparente, originando o fenómeno das Hortas de Lata.
Av. General Norton de Matos - Lisboa - Hortas Clandestinas
Este fenómeno é um pedido das comunidades que perderam o contacto com a terra, é o principal sintoma de um certo vazio doutrinário do planeamento urbano que tem vindo a menosprezar o elevado potencial da horta como elemento estruturante do espaço urbano.
Cabe ao arquitecto responder a este pedido, através do desenho urbano, corrigindo e rentabilizando o solo, assegurando à cidade um desenvolvimento harmonioso e sustentável.
PAPEL DA HORTA URBANA NA ORGANIZAÇÃO DA CIDADE
“Nós dependemos de um sistema de civilização e de cultura que tem dois subsistemas: um edificado e outro (…) com materiais vivos. Com a predominância de um sobre o outro, que está a verificar-se, criam-se problemas terríveis a nível do planeamento do território, instaurando-se o caos”in, Engenharia e Vida nº 12, Gonçalo Ribeiro Telles
Na cidade tradicional, o desenho urbano assimila o parcelamento e a divisão cadastral, separando o solo privado do solo público. No urbanismo moderno o estado detém a totalidade do solo que urbaniza sem redivisão fundiária ou privatizando apenas os espaços de implantação do edifício, isto dá origem a que os arquitectos ao intervir no interior de uma propriedade a completam na totalidade, onde a tarefa é facilitada pela livre disposição dos edifícios, levando a que o bairro não seja mais que o resultado da forma da parcela. Esta disposição e forma de fazer cidade pretende dar aos habitantes um máximo de solo livre, no entanto, esta atitude provocou o isolamento, individualização e consequentes conflitos gerados pela perda de interacção social dos habitantes da urbe.
A Horta Urbana deve assumir um papel relevante na ocupação do território, numa simbiose entre a cidade tradicional e a cidade moderna. Onde o estado ao deter a totalidade dos espaços deve fazer uma divisão fundiária de forma a potenciar o aparecimento das hortas. Esta divisão fundiária deve ter em conta zonas de terrenos expectantes, vazios deixados pelas infra-estruturas ou cursos de água, taludes sem vocação urbanística mas, também espaços centrais da cidade elevando a horta a equipamento comunitário.
HORTA URBANA COMO EQUIPAMENTO COMUNITÁRIO
O plano de desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), no seu programa Habitat 2, diz que o problema mais importante das cidades do séc. XXI, nomeadamente, das do terceiro mundo, é a falta do fomento da agricultura urbana. Este estímulo deve passar por estruturas centralizadoras da cidade.
O equipamento constitui um conjunto base que define as duplas condições de uma gestão pública, é um elemento centralidade: no domínio da sociologia da cidade e, no plano arquitectónico na produção de espaços colectivos.
Ao assumir a Horta Urbana como equipamento comunitário dá-se à cidade um espaço que privilegia a interacção social, a qualidade ambiental da cidade e acima de tudo é uma infra-estrutura de custos extraordinariamente reduzidos e com um grande potencial de retorno na vida económica das famílias. È necessário repensar o papel destas infra-estruturas como elementos de inovação urbana, com a possibilidade de conferir sentido e oportunidade a áreas negligenciadas e de difícil manutenção. Dotando-as de zonas de lazer, espaços de articulação, convívio comunitário que enriqueçam a vida das cidades e a saúde dos seus habitantes.
South Central Los Angeles - USA - Hortas Comunitária
Como estudo de caso podemos nos debruçar sobre uma Horta Urbana em Los Angeles, um produto da população hispana da cidade e um exemplo do potencial comunitário destas infra-estruturas. Incentivar as pessoas a ter uma dieta composta principalmente de produtos frescos, locais , orgânicos podendo fazer crescer os próprios alimentos num espaço urbano. Arquitectura como educação e geradora de novos modos de vida.