domingo, 14 de novembro de 2010

LIFE MACHINES

Uma imagem que dispensa legenda, que nos põe a pensar... O automóvel continua a ser, na maioria das cidades portuguesas, o principal responsável pelo congestionamento, ocupação de ruas e praças, originando dificuldades de mobilidade e contribuindo para a ineficiência ambiental com graves resultados para o bem-estar e qualidade de vida dos centros urbanos.
A cidade portuguesa tem evoluído, quando comparada com as suas congéneres Europeias, a um ritmo lento para as necessidades reais de mudança. Podemos dar algum destaque a exemplos como Aveiro ou Cascais, onde se nota o incentivo à utilização dos velocípedes como meio de transporte urbano, ao observar o esforço na criação de condições favoráveis com a alocação do espaço público para o transito de bicicletas, oferta de zonas de parqueamento e disponibilização de bicicletas de uso público... amargo é, ver esta promoção ser feita essencialmente pelos municípios onde a promoção por parte do Estado é nula. O encorajamento do uso da bicicleta, além de contribuir para a redução de gases poluentes e dos seus efeitos, salvaguarda recursos, cooperação, envolvimento e participação pública, respeito pelas necessidades sociais, económicas e ambientais, contribuindo para ganhos de saúde para os seus utilizadores.
Acho, que deve-mos olhar para uma Europa carregada de bons exemplos nesta matéria, segundo o artigo elaborado pelo ex-presidente da FPCUB, José Manuel Caetano, sobre «O papel da bicicleta na mobilidade urbana», em cidades como Ferrara (Itália), Amesterdão (Holanda) e Berma (Suíça) temos taxas de utilização de 31, 20 e 15% respectivamente (sublinhe-se o caso de Berma, onde o declive médio das suas vias é de 7%).
De modo geral, quando se pensa no tipo de soluções a adoptar para uma correcta integração da bicicleta no sistema de transportes, deve ter-se em conta a rede viária pré-existente.
A escolha das soluções a adoptar para uma correcta circulação de velocípedes está, em primeiro lugar, dependente das políticas de ordenamento no que respeita à velocidade de circulação de veículos motorizados e aos volumes de tráfego praticados em cada eixo rodoviário. Uma vez definidos os eixos e zonas da cidade onde o limite de velocidade seja reduzido é possível estabelecer as tipologias que melhor servirão à circulação de bicicletas.
Existem diferentes conceitos de ordenamento das vias – a mistura, a separação e a exclusão – que melhor se adaptam à especificidade dos eixos rodoviários referidos. A partilha do espaço entre peões, bicicletas e veículos motorizados é recomendável quando a velocidade é reduzida, como são os casos de bairros residenciais e zonas históricas ou centros de cidades. Para os casos em que a velocidade seja moderada, deve ter-se em conta a noção de espaço Vital do Utilizador de bicicleta, correspondente à margem que lhe permite ser ultrapassado em segurança, sem influenciar a sua trajectória e sem afectar o seu conforto. A par dos melhoramentos relacionados com a circulação de bicicletas, é igualmente necessária uma melhoria nos transportes colectivos, de modo a tornarem-se eles próprios uma marca de qualidade, apelativa a um universo maior de pessoas. Ao torná-los mais confortáveis, seguros, regulares e pontuais, com ligações que sirvam os destinos habituais e um maior funcionamento em rede, permitindo simultaneamente a complementaridade com a bicicleta, possibilitando o seu transporte gratuito e disponibilizando condições de parqueamento e de acesso aos terminais multi-modais... a bicicleta contribui para o alargamento da área de influência das redes de transporte colectivo.
A promoção da bicicleta exige um empenho dos órgãos governativos e da sociedade em geral, na busca de uma mudança dos valores e da imagem associada ao seu uso. ...LIFE MACHINE um bom slogan para a alteração de hábitos e criação de um conceito saudável de transporte urbano.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O HOMEM PARANOIDE

... acabei de escrever a dissertação de mestrado, agora, espero pelo abalo positivo do orientador... sinto-me envolvido por um tédio visceral... preciso de trabalho urgentemente... parto para a elaboração do portefólio, curriculum, reúno os "Gigas" de informação e trabalho produzido, reparo numa evolução constante e relativamente sustentada da minha pessoa, sorrio, mas,.... vejo ao fundo um mercado de trabalho atrofiado e completamente canibal! Assusta-me, no tipo de Homem que me tornarei... Sim!? Este passo é grande... Ao longo deste ultimo ano tive oportunidade de reflectir sobre a sociedade actual e o espaço urbano, sobre este Homem que hoje vive dentro de múltiplas identidades deslizantes, Homem plural, que é chamado a reflectir sobre os mais variados temas, nunca com resposta clara e objectiva, numa realidade cada vez mais complexa e com maior número de variáveis. Homem que vive com a necessidade cada vez mais urgente de organizar muita informação e de realizar tarefas com grande rapidez e eficiência. Este Homem, convive com um processo de desertificação, tanto físico como anímico.
Deserto que pode ser analisado como o resultado de uma dinâmica onde o Homem percebe a sua humanidade na razão directa da sua capacidade para dominar a natureza e os outros Homens, sendo incapaz de reconhecer a sua limitação!... um homem que cria, recria, modifica, explora coloniza, domina, mas, é cada vez mais escravo da sua criação por estar preso à vontade crescente de dominar o mundo, o Homem Paranoide!
Homem que modifica a natureza segundo o seu desejo de domínio, que concebe tecnologias cada vez mais avançadas e um meio ambiente cada vez mais artificial, é também produto daquilo que cria, um objecto do progresso que convive com a angústia da solidão. Sente-se inadaptado à situação presente da cidade, que o conduz a uma tentativa de construção da experiência fora dos paradigmas estabelecidos, como que numa vontade permanente de por à prova um sistema cuja falência antevê, dado o carácter inumano que esta alcançou, pela colocação de prioridades que, em vez de contribuírem para o bem-estar geral, servem os interesses de poucos. O que origina um colapso na fé dos grandes sistemas filosóficos explicativos como promotores de uma melhor compreensão do mundo e uma descredibilização do nosso sistema político, para a qual contribui a crescente marginalização social de vários segmentos da população mundial. A coexistência de altos níveis de desemprego, a degradação dos grandes centros urbanos, cria uma frustração social generalizada, que abala profundamente a crença do Homem contemporâneo na efectiva realização dos seus ideais. Levando-me a acreditar que o grande paradoxo social actual é o Homem conviver dia a dia com uma grande quantidade de pessoas e ao mesmo tempo sentir-se solitário.
MAS QUE RAIO???!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Arquitectos Sem Fronteiras – Portugal

Os Arquitectos Sem Fronteiras – Portugal comemoram 10 anos de existência com a exposição de alguns dos projectos desenvolvidos desde a sua fundação. Esta exposição insere-se nas Comemorações do Dia da Arquitectura – “Melhor cidade, mais qualidade de vida”, com o apoio da Ordem dos Arquitectos. Na inauguração estará presente o Presidente da Ordem dos Arquitectos para a assinatura de um protocolo de cooperação, entre a OA e os ASF-Portugal. Quem andar por Lisboa é favor dar um salto ao Museu do Oriente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Solar South Park (arquivolução RESPOSTA 6)


Está a ser realizado um concurso de ideias no Sul de Itália, em que se pretende renovar ou reutilizar um viaduto que faz parte da rodovia que liga Salerno-Reggio Calabria. Este trecho rodoviário vai ser desactivado e uma nova estrada vai ser construída nas proximidades, o que levanta o problema de como utilizar a infra-estrutura existente. Actualmente, o júri do concurso ainda está em deliberação sobre qual o melhor projecto, no entanto, recentemente foram publicadas, no inhabitat, imagens de uma das ideias a concurso produzida pelo atelier Ja StudioInc. Este atelier propõe, ao contrário da demolição, usar este viaduto e as sua extraordinária estrutura, interligando esta estrutura totalmente com a paisagem, através da criação de uma cidade parasitária que se vai desenvolvendo, utilizando energias renováveis, experimentando novas formas de protecção do ambiente tirando partido da arte da terra capaz de estimular um turismo responsável.


A proposta não é um parque solar ou de energias renováveis, mas um parque ecológico que gera conexões rápidas entre as famílias e o meio ambiente envolvente.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MOMENTOS - curta



Já dizia Pessoa: «O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.»

Esta curta, do Nuno Rocha, é sublime...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A INADAPTAÇÃO DOS SISTEMAS


A eficiência é um dos valores mais repetidos na sociedade actual. Uma obsessão que vem de longe e foi mesmo considerada como um critério para medir a evolução da cultura industrial.
É certo o aumento anual de energia per capita (Portugal registou um aumento de 80% no período de 1990-2004) o que cria relações de extrema complexidade na gestão energética, se não vejamos o seguinte exemplo: um agricultor na Nova Guiné, devido ao seu trabalho ser manual, com uma unidade de energia produz entre 10 a 20 unidades de energia para consumo, enquanto que na dita agricultura moderna são utilizados cerca de 45 unidades de combustível fóssil para produzir 20 unidades de energia disponível aos consumidores no supermercado podendo-se concluir que o nível de vida superior que possuem as nações industrializadas não é consequência de uma eficiência produtiva, mas de um grande aumento da quantidade de energia disponível por pessoa.
Porque produzimos assim os nossos alimentos?, porque desperdiçamos a energia que há no ambiente e não a aproveitamos?, porque continuamos a construir cidades para os automóveis?, porque se o arquitecto tem em seu poder a responsabilidade de no acto de projectar dotar o desenho com características que minimizem o impacto ambiental do futuro (i)móvel no meio ambiente, o continua a não fazer?
o projecto de arquitectura tem o poder educador sobre a sociedade em que actua, devendo tirar o máximo de partido das potencialidades produtivas, turísticas e de gestão paisagística utilizado os recursos locais.
Só assim poderemos contribuir para uma cultura ecológica que entenda a paisagem e que respeite a complexidade dos sistemas ecológicos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

...3 meses

Passaram-se quase 3 meses desde o ultimo post. A escassez de tempo nos meses de Junho e Julho aliada à descompressão necessária e realizada em Agosto fizeram com que o ensaio se limita-se apenas a existir durante este tempo...

Num ano em que a trienal deixa de fora a cidade do Porto, Setembro arrancou com o congresso internacional AICO, realizado pela DARCO Magazine em parceria com a JOFEBAR que, infelizmente não trouxe debate! em parte por culpa da organização que não o soube potenciar, apesar do bom painel de convidados e moderadores, e por outro lado, talvez o pragmatismo em que a disciplina se vê envolvida não deixe espaço para o pensamento “filosófico” ou preocupações politizadas!? Talvez a imposição de adaptação rápida às condições específicas de uma profissão cada vez mais tecnocrática façam do arquitecto um profissional que responde a encomendas cuja natureza não deve ser questionada, competindo-lhe apenas executar bem!?... difícil, a tarefa para plateia que, se viu bombardeada por uma quantidade colossal de imagens ao longo de seis dias. No entanto, a ressalva de dois atelier's ambos sul-americanos, na minha opinião as surpresas do congresso...




sexta-feira, 4 de junho de 2010

Roadmap 2050 (arquivolução RESPOSTA 5)

Roadmap 2050: AMO from OMA on Vimeo.

Roadmap 2050 é um projecto cujo objectivo é uma análise de meios e soluções para conseguir reduzir ou mesmo eliminar as emissões de dióxido de carbono da Comunidade Europeia para a atmosfera. É uma ideia da Fundação Europeia do Clima (ECF) desenvolvido com um conjunto de especialistas entre os quais se encontra o conceituado AMO que se encarregou de toda a documentação gráfica.
Roadmap 2050 demonstra mediante mapas e gráficos que é possível reduzir as emissões de dióxido de carbono de 80% a 100% caso se faça um intercâmbio energético entre o Norte de África e a União Europeia, aproveitando as fontes de energia "limpa" que têm cada um e troca-las segundo as estações do ano. La configuração de "Eneropa" troca fronteiras por tipos de fontes de energia e as regiões passariam a chamar-se "Solaria", "Biomassburg", "Isles of Wind", "Tidal States", "Urania", Geothermalia"... As trocas energéticas precisariam da construção de instalações locais e uma rede de conexão-abastecimento global com uma capacidade adequada (ROADMAP). Depois de um investimento inicial relativamente elevado do projecto agora seria obter redução de custos até 2020 e atingir as metas em 2050. O estudo, resumido no vídeo, mostra que este projecto criará mais postos de trabalho ao cidadãos Europeus e que quanto mais tempo se demorar a implementar este plano maiores serão os custos.

Mais informações aqui

quinta-feira, 3 de junho de 2010

LOGORAMA (Melhor Curta [Animação] 2010)


O filme vencedor na categoria “melhor curta-metragem de animação”, “Logorama”, do cineasta argentino Nicolas Schmerkin. Excelente curta sobre o modo como as marcas invadem o mundo contemporâneo, que no filme recebem um novo contexto e são satirizadas em função do guião.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ARCHITECTURE FOR HUMANITY



Documentário que nos leva a conhecer melhor a fantástica organização Architecture for Humanity, baseada na procura da construção de um futuro melhor, usando a partilha e o poder do design.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

UMA QUINTA NOS CAMPOS!


Os Campos Elísios, em Paris, transformaram-se, este domingo, numa enorme quinta. Dezenas de agricultores expuseram plantas, flores, frutas e vegetais e até mesmo animais, como forma de chamar a atenção da sociedade para a crise vivida na agricultura, em França.
O evento, organizado por várias associações do sector, atraiu milhões de pessoas à capital francesa que observaram por mais de um quilómetro os vários produtos agrícolas expostos, bem como como vacas, porcos, cabras, ovelhas, entre outros animais.
Iniciativa que, para além de pioneira e de forte impacto, sossega a paranóia em que vive a maioria da população urbana... Se não vejamos, hoje, o cenário urbano mostra-se cada vez mais agressivo, não possibilitando a materialização dos desejos, a transposição entre o sonho e o real… o Homem urbano vive o seu quotidiano rodeado de elementos estranhos e, nos quais não encontra identidade, o que desencadeia um deslocamento e uma não identificação com a realidade circundante, provocando uma ausência de referências que permitem construir o território comum e a sua identificação com o espaço. Hoje, é inevitável questionar a obsessão evidente pela imagem estetizada, onde a aparência, o desejo consumista, a primazia da visão sobre todos os outros sentidos, leva a reconhecer que o ambiente em que vivemos se afasta, frequentemente, de questões que se relacionam com o Homem e as suas necessidades emocionais e sensoriais, o que se reflecte num desconforto generalizado que conduz a uma busca de espaços onde se possam completar estas lacunas e encontrar situações que propiciem a identificação e o sentimento de pertença.
Esta forma de aproximar o "urbanoide" do universo rural, para além de fornecer conhecimento empírico sobre a realidade esquecida, sensibiliza, reforça os laços com a natureza e acima de tudo liberta da paranóia.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

VITRAHAUS VIDEO



Vídeo cedido pela Videos Architectural, mostra-nos o interior de uma das ultimas obras de Herzog de Mouron onde se pode ver o interior e exterior do VitraHaus. Um edifício que se "monta" através do empilhamento de várias caixas que resultam numa diversidade, extremamente rica, de espaços no seu interior.